POIZÉ

HOMENS DE ALUGUEL

8/6/2011

Há na Internet oferta de acompanhantes especiais para o próximo fim de semana: moreno alto, olhos azuis, poliglota e bem dotado. Feliz Dia dos Namorados! Solitários de modo geral, seus problemas se acabaram!

 
Há poucos anos, as colunas de ofertas de serviços profissionais de acompanhantes nos grandes jornais restringiam-se à mulheres em anúncios de sedução duvidosa ou mesmo estapafúrdios. Hoje, 07 de junho de 2011: ”Cheng chinesa, 18a, apertada, semi virgem”; alguém duvida do quê se insinua? E é de hoje também: “Abner Mulato Dotado Ativo personal local”. Podem conferir: p C9 da F.S.P. E junto com o Abner, um punhado de oferecidos e habilitados rapazes.

 

O sinal dos tempos – tempos de rupturas nos papéis sociais e desordem na estrutura familiar tradicional * – que fica arregaçado na recente manchete de um jornal russo de divulgação que circulou recentemente: "Pais de Aluguel”.

 
 

Na sociedade russa como em outras do mundo ocidental proliferou-se a chamada Produção Independente. Mulheres com idade fértil à vencer, engravidam-se deliberadamente de qualquer alguém e pronto, mães solteiras.

 

Sem muita demora, foi ficando fácil reconhecer através do comportamento das crianças a falta da tal figura do pa; um esmorecimento do que a psicanálise cunhou como Função Paterna. Função ligada a limites, interdições-autorizações, a uma certa Lei Civilizatória - reconhecer o outro.

 

Homens com prendas masculinas são alugados para passar períodos com os filhos das tais produções: limites em cotas, identificação masculina em parcelas, função paterna em conta-gotas.

 
Talvez funcionasse num mundo homeopático. Mas neste mundo de globalização total, prá já-já, aqui, ali e acolá, veremos os anúncios: “Hoje, Grande Promoção de Pais de Aluguel! Aproveitem!” Um negócio da China.

 

 

 

Feliz Dia dos Namorados. De preferência bem acompanhado. 

 

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*Em “A Família em Desordem”, Elisabeth Roudinesco discute as rupturas da instituição familiar patriarcal e a eclosão de novas possibilidades: família monoparental, homoparental, gerada in vitrum, clonada, e outras possibilidades em articulação. Coloca em questão também a psicanálise tradicional montada sobre o romance familiar freudiano: triângulo edípico, função paterna. 

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