OLHO VIVO

Imprimir

O FILME "DOIS IRMÃOS" ABORDA QUESTÕES EXISTENCIAIS COM HUMOR E SUTILEZAS AFETIVAS

26/10/2010

“Dois Irmãos” é o mais recente filme de Daniel Burman (“Esperando Messias”, 2000; “Abraço Partido”, 2004; “Lei de Família”, 2006; “O Ninho Vazio”, 2008). Ele integra a nova geração do cinema argentino, juntamente com: Lucrecia Martel, Juan José Campanello, entre outros. Dentre eles, Burman se destaca por tratar a temática familiar, de classe média, a partir do recorte das relações amorosas - isso tudo azeitado com humor e drama.

 

O filme, “Dois Irmãos”, é baseado no romance “Villa Laura”, cujo autor é Sérgio Dubcovsky. Burman conta a história dos irmãos sexagenários: Marcos (Antonio Gasalla) e Susana (Graciela Borges). Ele é um homem aposentado, prestativo, solteiro, preocupado com a irmã, e cuida da mãe enferma. Ela, por outro lado, é uma mulher vaidosa, solteira, vive a fazer trambiques, e a sonhar em ser rica. Quando a mãe morre, Suzana tenta convencer Marcos que a venda da casa, onde a matriarca morava, renderia um bom negócio.

 

Convencido pela irmã, Marcos muda-se para Villa Laura. Um vilarejo no Uruguai, situado à beira do rio da Prata. De um lado, a Argentina; de outro, o Uruguai. O rio da Prata, então, poderá ser visto de lugares diferentes, sem perder o encanto de como pode ser olhado. Navegar pelo rio transportará Marcos e Suzana para outras “águas” que, até então, não puderam experimentar. A distância geográfica, num determinado momento, retrata uma outra distância: aquela que, às vezes, o amor tampona os ouvidos e não permite a escuta de um pelo outro. De que maneira o rio da Prata “se estreita” para tornar o inaudito da voz de um em  invocação do outro?

 

Burman, ao construir seus personagens, deixa sempre a marca que o caracteriza: o gesto mínimo se traduz em movimentos sutis, quase imperceptíveis; e, que, por isso, adquirem o formato de algo a ser revelado, numa fração de segundos. Como se o escondido sob um véu, surgisse acompanhado por um leve espanto.

 

Além da metáfora do rio da Prata, o roteirista introduz outra: o telefone celular. O objeto situa a idéia da ligação com o outro, na era pós-moderna. Quando Marcos se muda para Villa Laura, ele recebe da irmã um celular, porém “no hay roaming”. O irmão pede que Suzana providencie, em Buenos Aires, um aparelho que tenha roaming. Ora, o que é roaming? Dizem os especialistas em telefonia móvel: a falta de “conectividade” que um usuário não tem, para ligar-se em áreas fora de sua localidade. 

Dessa maneira, Marcos e Suzana, cada um ao seu modo, procura fazer da vida um tempo presente para algumas descobertas; apesar dos respingos advindos do passado.

 

Sem pieguice e com maestria, Burman contorna as frestas existenciais, com pinceladas de humor, e sutilezas afetivas.

 
Colaboração: Leonardo Beni Tkacz

COMENTÁRIOS:(0)

Envie seu comentário

voltar

Irmãs Ross...Uma relíquia
Fantásticas, famosas na época.

.

Psicotramas

16/08 - Lançamento do livro Crônica de uma Ilha Vaga
Núcleos de Formação Permanente no CEP

Psicorama © - Todos os Direitos Reservados
psicorama@psicorama.com.br

MFSete