OLHO VIVO

Imprimir

POLÍTICA COM "P" MAIÚSCULO OU PALHAÇADA COM "P" MINÚSCULO?

6/10/2010

Belos tempos aqueles em que grande parte da militância política acreditava num projeto de educação popular alicerçado no método de alfabetização do grande pedagogo Paulo Freire, que faria com que as pessoas oriundas das classes C e D e do chamado lúmpen proletariado descobrissem a sua força política através das mais variadas formas de organização popular.

 
Acreditava-se, então, que através dos sindicatos, das associações de bairro, dos clubes de mães, dos grupos de jovens, dos centros de defesa dos direitos humanos, dos movimentos por moradia, saúde, saneamento básico e tantos outros que reivindicavam melhor qualidade de vida , haveria de se formar uma nova consciência política e que, a partir destas organizações de base, de forma complementar e convergente, fossem empreendidas também lutas em âmbito parlamentar, elegendo políticos que garantissem, tanto no poder legislativo quanto no executivo, leis e ações concretas de sedimentação de um novo jeito de fazer política, a chamada política com “P” maiúsculo.
 
Nunca foi um trabalho fácil. Na mentalidade de grande parte da população, política era coisa suja, onde só existia corrupção e roubalheira e, portanto, algo em que não valeria a pena investir, nem ter esperança que pudesse ser diferente.
 
 
Apesar de todas as dificuldades, é verdade que grandes avanços foram dados no processo de redemocratização do Brasil nos últimos trinta anos, mas, às vezes, aparecem algumas surpresas inquietantes.
 
Sem querer dar mais importância do que o fato merece e, ao mesmo tempo, sem querer fazer de conta de que o fato é irrelevante, a questão é que, nas últimas eleições, o deputado federal mais votado no Brasil foi o embuste chamado Tiririca. E então, o que fazer? Ri-se da piada? Mas, nessa piada, quem está sendo exposto ao ridículo? Quem goza? Da para continuar acreditando que neste país é possível se fazer política com “P” maiúsculo? Ou é melhor embarcar na palhaçada com “p” minúsculo?
 
Bem, a feira de horrores já montou suas bancas:
 
Tiririca não se planta, é praga....Vende-se um Tiririca por um Gilmar Mendes. Quem dá menos?
 
E as igrejas continuam vendendo fachadas. Aproveitem a promoção de abortos ilegais.
 
As utopias estão em baixa. Talvez sejam encontradas prá lá de Marrakesh.
 
Respeitável público! Começou o reality show do título "non-sense" Brasil!

COMENTÁRIOS:(1)

  • 14/10/2010 18:59:32
    Nome:LOREDANA
    Comentário:É... Aqui sim acho que se instala um clima de Deus nos acuda. E parece que só resta o riso triste de nós palhaços...

Envie seu comentário

voltar

Irmãs Ross...Uma relíquia
Fantásticas, famosas na época.

.

Psicotramas

16/08 - Lançamento do livro Crônica de uma Ilha Vaga
Núcleos de Formação Permanente no CEP

Psicorama © - Todos os Direitos Reservados
psicorama@psicorama.com.br

MFSete