OLHO VIVO

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MIL-AGREIROS

9/6/2010

 


 
Dos milagreiros, o item do menu que mais aprecio é "trago a pessoa amada em 3 dias". No limbo ama/não-consegue-amar espreitam ES-TU-PEN-DA-MEN-TE cavilosas mumunhas...



 
 
Por que será que existem taaaantas mandrakarias pra encontrar o amor, trazer o ser amado em 3 dias, casar, mas não existe pôrranenhuma pra aniquilar alguém da memória!???? O que a tchurma tentou&tentou no filme "Brilho eterno de uma mente sem lembrança" (Michel Gondry, 2004). O tal deletar a ex(??)-pessoa amada da mente não deu muito certo. Pode-se ver também "Ano Passado em Mariembad" (Alain Resnais, 1961). Ou ler o es-tu-pen-do "A Invenção de Morel" do Bioy Casares. E a memória só se deleta mes-mo com ajuda do Alzheimer. O resto fica em algum lugar da mente (que não mente).
 
As memórias são boas pra serem vividas - enquanto memórias. Até um amor que acabou pode deixar uma sobra positiva que se espraia por muuuuitos outros rostos e vai neles se diluindo como uma riqueza que fica pra gente, apesar da amada(o) ficar esquecida(o) no dia-a-dia desperto. 
 
Cabe a nós, aprender à conviver com elas. 
 
"Ninguém escapa da depressão que está ligada à condição humana, pois este é o preço que pagamos pelo vínculo com os objetos que nos dá a alegria de viver. Nem todos morremos disto, felizmente. Para a maioria das pessoas, as pulsões de vida nos devolvem o gosto de viver que nos teria faltado num determinado momento. A libido retoma a dianteira, investe de novos objetos, ou reinveste aqueles que foram a causa da decepção que nos levou a desinvesti-los. Mesmo o luto dos seres mais queridos, aqueles que supomos insubstituíveis, termina um dia. Esta é a grande lição de Montaigne e Proust. O esquecimento está do lado da vida, do contrário a imortalidade seria um fardo. O recalcamento também é conservador. Quando o luto se torna interminável, não é na conta do amor que se deve ser posta esta perda inconsolável, mas, pelo contrário, na de um ressentimento, nascido do abandono do objeto, que não diz seu nome."

André Green
, pósfacio de Narcisismo de Vida, Narcisismo de Morte

 
Em Psicanálise, ao contrário do que muitos pensam, a memória é pra ser levada junto como instrumento pra se olhar pra frente. Bion sinalizava nesta direção. Pra ele a memória era parte da capacidade de perceber com consciência o que acontece no presente, mas deve ser descartada quando se torna o foco da atenção. Desta maneira, ela enguiça o pensar. O resgate do reprimido é necessário porque é preciso lembrar pra poder esquecer...
 
 
Midnight. Not a sound from the pavement
Has the moon lost her memory. She is smiling alone
In the lamplight the withered leaves collect at my feet
And the wind begins to moan
Memory - all alone in the moonlight. I can dream of the old days
Life was beautiful then
I remember the time I knew what happiness was
Let the memory live again
 

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