OLHO VIVO

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AMOR QUASE

14/10/2009

E por não termos tido coragem de chegarmos perto da verdade, nosso amor continua intacto. Um amor quase morto conservado in vitro por toda a eternidade. Um fóssil que ainda respira, mesmo soterrado. Não nos falamos há tanto tempo e ainda ouço você me chamando de algum canto da casa pra ver uma orquídea que brotou, uma gracinha do cachorro ou uma bobagem na televisão. É o seu coração que escuto quando ponho a cabeça no travesseiro e me cubro de silêncio, um silêncio que abafa a casa inteira. É sua a mão que busco quando ouço aquela música no rádio, aquela que procurávamos feito loucos girando o dial por todas as estações quando voltávamos bêbados pra casa, de madrugada, eu ao volante porque você já não podia. E por não termos tido coragem de chegarmos à verdade, nosso amor vive até hoje numa caixa de vidro, faquir que míngua um pouco a cada dia sem nunca morrer. Um amor condenado a ser quase vivo pra sempre por covardia, inaptidão ou mera falta de empenho.
 
Ivana Arruda Leite
 

 
*

 
E se não tem obsessão, não é amor?? Será que amor é só quando a gente perde o limite?!?? 
 
Muito no amor é mesmo obsessão, como já surge no miniconto da Ivana (a Terrível), que tem uma mulher falando de amor, de um amor preservado no esquife ou num caixão da Branca de Neve. Precisamos da obsessão, por sinal. Acho que está prevista, programada ou sei lá... Não precisamos da resignação. Podemos perder&chorar. Podemos perder e ir a luta outra vez. Resignação tem um ranço, é meio masoquista...
 
Deusnoslivre desse amor preservado em esquife ou formol... in vitro. A Ivana não sugere a resignação pelo abandono, mas uma vida resignada em que o par fica ali, velando um amor morto... sem coragem de enterrar, CREDO!!!!

COMENTÁRIOS:(2)

  • 16/10/2009 16:25:11
    Nome:ROBERTA
    Comentário:Bonito... que dá vontade de me/se matar.

  • 19/10/2009 09:20:47
    Nome:PIERRE
    Comentário:Roberta, ascoltami...
    o Belo tem esse poder: a cada vez que nos revela, nos mata um bocadinho.

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