OLHO VIVO

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DELÍRIO

1/7/2009

Li em voz alta e entre risos deduzi que:

1) os parnasianos - apesar dos circunlóquios - também trepavam ainda que retentivamente;
2) e que numa trepada parnasiana, podia haver o boquete circunloquial  (igualmente parnasiano);
3) até os barrocos, como o "Boca de Inferno" eram mais diretos em seus objetivos, termos chulos e sucessos, indo aos finalmente sem tantos entretantos.

 
OLAVO BILAC
 
Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...
 
 
Ah!... mas nada como uma moça louquinha pra botar certos parnasianos... "na linha".

COMENTÁRIOS:(1)

  • 13/7/2009 14:07:32
    Nome:LÚCIA
    Comentário:Não pude conter a curiosidade sobre este outro Bilac, os que aprendi na escola e em casa eram uma baita "charetice": o rigor da forma, da métrica... Veja só:

    ÚLTIMA PÁGINA

    Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos
    a vez primeira em que nos abraçamos... Numa palpitação de flores e de ninhos.
    Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos
    Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos.

    Verão. (Lembras-te Dulce?) À beira-mar, sozinhos,
    Tentou-nos o pecado: olhaste-me... e pecamos;
    E o outono desfolhava os roseirais vizinhos,
    Ó Laura, a vez primeira em que nos abraçamos...

    Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos,
    Nua, presos aos meus os teus lábios vermelhos,
    (Lembras-te, Branca?) ardia a tua carne em flor...

    Carne, que queres mais? Coração, que mais queres?
    Passas as estações e passam as mulheres...
    E eu tenho amado tanto! e não conheço o Amor!
    (...)
    Olavo Bilac, in "Poesias"

    SATÂNIA (fragmento)

    (...)
    Sobe... cinge-lhe a perna longamente;
    Sobe... - e que volta sensual descreve
    Para abranger todo o quadril!- prossegue,
    Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura,
    Morde-lhe os bicos túmidos dos seios,
    Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo
    Da axila, acende-lhe o coral da boca,
    E antes de se ir perder na escura noite,
    Na densa noite dos cabelos negros,
    Pára confusa, a palpitar, diante
    Da luz mais bela dos seus grandes olhos.

    E aos mornos beijos, às carícias ternas,
    Da luz, cerrando levemente os cílios, E da boca na púrpura sangrenta
    Abre um curto sorriso de volúpia...

    BEIJO ETERNO

    Diz tua boca: "Vem!"
    "Inda mais!" diz a minha, a soluçar... Exclama
    Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
    "Morde também!"
    Ai! morde! que doce é a dor
    Que me entra as carnes, e as tortura!
    Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura,
    Morro por teu amor!

    Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo!
    Beija-me assim!
    O ouvido fecha ao rumor
    Do mundo, e beija-me, querida!
    Vive só para mim, só para a minha vida,
    Só para o meu amor!

    Beijão e re-des-cobramos os Bilacs...

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