CUIDAR DE SI

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VÁ DE BIKE!

29/10/2009

“Sou eu que te levo pelos parques a correr, te ajudo a crescer e em duas rodas deslizar. Em cima de mim o mundo fica à sua mercê, você roda em mim e o mundo embaixo de você. Corpo ao vento, pensamento solto pelo ar, pra isso acontecer basta você me pedalar”. Cantada por Toquinho, nossa amiga bicicleta é sinônimo de diversão e lazer, brinquedo de crianças e adultos. Brincadeira que basta aprender uma vez para nunca mais esquecer.

No entanto, esta não é a única vocação da magrela. Sem renegar seu DNA lúdico, ela ganhou status de veículo ainda no século XIX, quando disputava espaço entre charretes e carruagens. Nascia um novo tipo de transporte urbano muito mais eficiente e barato. “Os novos veículos movidos a propulsão humana eram limpos, exigiam pouca manutenção e podiam ser guardados até dentro de casa”, comenta Arturo Alcorta, coordenador da Escola de Bicicleta. A novidade se popularizou e a concorrência pelo espaço público ficou acirrada. Tanto que, em 1862, a prefeitura de Paris criou uma via especial para as bicicletas inaugurando a primeira ciclovia.

Desde então, a Cidade Luz administra suas vias com a preocupação de integrar a rede cicloviária ao sistema de transporte. O mais recente projeto parisiense, o Vélib, já é referência mundial. São 20.000 bikes públicas disponíveis para locação distribuídas por centenas de bicicletários. Barcelona, Montreal e Londres, entre um número sem fim de grandes metrópoles, seguem o exemplo adotando políticas em favor das bicicletas a fim de aliviar o trânsito nos centros urbanos.


Versão Tupiniquim

Essa tendência já chegou por aqui. Criado pelo Instituto Parada Vital com o apoio do Metrô de São Paulo e patrocínio da Porto Seguro, o projeto UseBike oferece bicicletários para os paulistanos em oito estacionamentos da Rede Estapar e em quinze estações do metrô. O empréstimo é grátis na primeira hora e, após esse período, são cobrados R$ 2,00 por hora adicional. Em média são alugadas 170 bicicletas por dia. Muita gente já sacou que o UseBike pode ser uma boa opção de transporte público. “Percebemos o uso crescente para utilização de deslocamentos além do lazer, haja vista que funcionamos todos os dias, das 6 horas às 22 horas”, diz Ismael Caetano, presidente do Instituto. “O principal desafio desse sistema é que ele ganhe capilaridade, criando o maior número possível de pontos para que as pessoas comecem a vê-lo como uma real possibilidade para seus deslocamentos diários”, comenta o cicloativista Leandro Valverdes.


O caminho se faz... pedalando

Ciclovias, ciclofaixas, bicicletada, direitos do ciclista, dia mundial sem carros – a magrela ganhou pauta na mídia nos últimos meses. Aproveite o embalo e arrisque umas pedaladas. Você vai se surpreender: o mundo em cima da bike é mais fluído, o movimento mais orgânico. O tempo, o ritmo, é você quem determina. Essa é uma das grandes vantagens que a bicicleta leva sobre o carro. “Sei que nunca levarei mais do que meia hora para chegar ao meu destino, seja num feriado ou em dia de trânsito caótico”, explica Valverdes.

Mas antes de tirar a poeira da bicicleta (e fazer uma revisão numa boa bicicletaria) é preciso entender que um ciclista não conduz a bike como se estivesse dirigindo um carro. Devemos traçar um roteiro evitando as avenidas de fluxo intenso, onde a velocidade dos veículos motorizados é maior. “Muitas vezes o motorista acha que o ciclista não deve estar ali e não tira o pé. Ele se sente no direito de agredi-lo”, sinaliza André Pasqualini, idealizador do Instituto CicloBr de Fomento à Mobilidade Sustentável. “Mas esse comportamento vem mudando. Em parte porque o número de magrelas nas ruas só vem aumentando”, reconhece o cicloativista.

Não deixe a ferrugem do medo impedir os giros saborosos da bike. Aos poucos você ganhará mais segurança. Desfrute da nova paisagem, impossível do lado de dentro do pára-brisa. Mesmo se você não tem uma ciclovia por perto, monta e vai, meu velho. Enjoy the Ride. Nem só de ciclovia vive um ciclista. “A população comprou a idéia que só com estrutura o ciclista terá a segurança desejada. Há todo um erro de avaliação por falta de conhecimento”, manda avisar Arturo Alcorta, um dos precursores do movimento de montain bike no Brasil. Um estudo realizado na Holanda, referência mundial quando o assunto é transporte por bicicletas, sugere que as ciclovias – faixas segregadas para trânsito de ciclistas – são necessárias apenas para locais onde a velocidade dos carros é superior a 60 km/h. Abaixo disso, de 40 km/h a 50 km/h, o mais indicado são ciclofaixas (não-segregadas), enquanto que para vias onde os veículos circulam a velocidades em torno de 30 km/h basta que contenham sinalização sobre trânsito de ciclistas.


Inspiradores conspiradores

Os notívagos apaixonados por bike descobriram o prazer de pedalar quando a cidade dorme. “À noite a cidade é mais calma”, explica Renata Falzoni, fundadora do Night Biker’s Club. “De dia, pedalo como meio de transporte. À noite é por lazer”. Mas atente para os cuidados que a noite reserva. “O uso do capacete e luzes de sinalização para a bike são obrigatórios. Ande sempre em grupo e siga o ritmo do guia, mantenha a direita e respeite as leis de trânsito”, são as dicas da Falzoni, pioneira do pedal noturno e vídeo-repórter de aventura. Assistir uma reportagem dessa mulher em cima da bike em movimento, segurando firme a câmera, é altamente inspirador. Ela eleva o uso da bicicleta à potência máxima. Perde-se os limites entre Renata, bicicleta e câmera.

Dá para respirar os novos ares na esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação. É que acontece toda última sexta feira do mês a Bicicletada, movimento que celebra o uso da bike como meio de transporte. Uma “coincidência organizada” que começou a tomar as ruas de São Francisco nos EUA no início dos anos 90. O barulho é grande, a galera é animada e o recado é direto: mais bicicletas, menos carros! Respeito e espaço na sociedade do automóvel.

Seja como transporte, diversão ou fé, em cima da magrela, todo trajeto vira passeio. “A bicicleta traz a pessoa de volta à escala humana”, resume a ciborgue Falzoni. “A bike humaniza”. Bom giro.


Dicas do professor Alcorta

O ciclista profissional Arturo Alcorta dá sugestões para um pedal seguro (http://www.escoladebicicleta.com.br)

1. Use os equipamentos de segurança específicos.

2. Vista roupas claras ou chamativas e sinalize suas intenções.

3. Evite ruas e avenidas movimentadas.

4. Nunca pedale na contramão.

5. Não faça ziguezague. Procure pedalar mantendo uma linha reta.

6. Mantenha-se à direita e não pedale muito próximo do meio-fio.

7. Cuidado com a abertura das portas dos carros.

8. Nunca entre com tudo nos cruzamentos, esquinas ou saídas de estacionamentos.

9. Só olhe para trás quando for realmente necessário.

10. Respeite para ser respeitado.


Colaboração: Mario Iughetti Mazeu

COMENTÁRIOS:(9)

  • 2/11/2009 11:14:08
    Nome:PATRÍCIA
    Comentário:Parabéns pela matéria. Adorei!!!!!!!

  • 2/11/2009 15:13:33
    Nome:GUILHERME
    Comentário:Eros também pedala, creiam! Princípio da dialética: "Ao sair do rio, não seremos os mesmos, nem o próprio rio também o será".

  • 2/11/2009 18:32:14
    Nome:PIERRE
    Comentário:O seu texto, MARio, é um salto mortal, vital, sobre a cidade e a burrice. Supimpa, porreta!

  • 31/8/2010 18:23:39
    Nome:MAURA
    Comentário:Queremos ciclovias!!

  • 4/9/2010 12:24:12
    Nome:SIMONI
    Site / Blog:www.psicologiaearte.com.br
    Comentário:Que bom que cada vez mais pessoas pensam assim! Excelente matéria! Eu também pedalo por amor, por lazer, como meio de transporte e como terapia! Vejam nosso grupo em BH: www.mountainbikebh.com.br

  • 8/9/2013 13:54:49
    Nome:TEONHWVJXMMJ
    Site / Blog://www.facebook.com/profile.php?id=100003443784976
    Comentário:Gosto imenso do trlbaaho da Joana Vasconcelos. Merece completamente. Quanto ao Rui, ne3o acompanho o ciclismo mas acredito piamente que seja um justo vencedor. E no fundo e9 isso mesmo, Portugal tem muitos motivos para se orgulhar mas claro que o desporto rei nesta altura abafa tudo o resto. Eu sou uma apreciadora confessa de futebol por isso tenho que dar a me3o e0 palmatf3ria, no entanto tambe9m estou sempre atenta ao nosso desempenho noutras e1reas mas acho que falta muita divulgae7e3o e patriotismo para que se valorize algo mais do que o futebol, os vinhos, a cerveja e as praias.

  • 9/9/2013 09:57:33
    Nome:AXCPDEEURS81
    Site / Blog://www.facebook.com/profile.php?id=100003443574013
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  • 10/9/2013 16:12:51
    Nome:OQ1ZPSRT
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    Comentário:Fui e0 primeira"//rcpltes.com"> espxoie7e3o da Joana em Portugal e tive oportunidade de estar por perto de uma sua apresentae7e3o. Ela e9 uma mulher muito, muito simples mas tem e0 volta dela um staff-system que a quer tornar algo "snob", que a quer transformar num produto para consumo elitista.. Ne3o que haja mal nisso, porque no meio artedstico he1 um pouco essa necessidade. Ela falava e eles corrigiam o que ela dizia, porque ela dizia-o sem pretensionismos e eles aplicavam-nos :))Em termos criativos e9 o que e9: soberbo!! PS: O sapato cinderela ne3o e9 apenas UM?

  • 11/9/2013 00:24:07
    Nome:1UECMKAYNX0
    Site / Blog://www.facebook.com/profile.php?id=100003443515357
    Comentário:Obrigada pelas dicas, Ricardo. Boa queste3o, essa do tamanho. Je1 me diessram que uma medida a seguir sere1 ter a perna quase esticada quando o pedal este1 em baixo, mas je1 experimentei e assim mal chego ao che3o. Se ne3o for abusar, tens alguma sugeste3o?Sara(e, por favor, trata-me por tu:) ) //xbbshvds.com [url=//tojidz.com]tojidz[/url] [link=//vtfmuybtag.com]vtfmuybtag[/link]

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