CASOS E CAUSOS

FOLCLORES E BASTIDORES PSI

Imprimir

PRÍNCIPE MOHAMMED MASUD RAZA KHAN

Um criativo transgressor nas hostes psicanalíticas

"A psicanálise é uma disciplina de sensibilidade e perícia, de caráter extremamente privado. A prática da psicanálise desdobra essa privacidade, transformando-a num relacionamento especializado entre duas pessoas, que, pela própria natureza da exclusividade que uma observa em relação à outra, modifica a ambas. O que desejo dizer em primeiro lugar a respeito do trabalho apresentado nestes escritos, é que meus pacientes me ajudaram a dar vida e a personalizar meu potencial de pensamento, afetividade e esforço, convertendo-o num modo de viver que considero profundamente satisfatório. Tivesse eu seguido outra carreira, talvez minha vida fosse mais intensa e diversificada, porém, nunca tão plena. Meu trabalho com os pacientes me ensinou a ser humilde e a ver a necessidade da dependência que temos do outro para sermos e nos tornarmos nós mesmos."


Masud  Khan – prefácio do livro: Psicanálise: Teoria Técnica e Casos Clínicos



 

Mohammed Masud Raza Khan (1924–1989), esse aristocrata, reconhecido por muitos como príncipe, além de ser um excelente teórico da psicanálise, teve uma clínica intensa, extensa e inovadora. Sua vida vigorosa e tortuosa provocou inúmeros embates nas hostes psicanalíticas e ganhou até ares de folclore. A fama, como um anátema sobre o afamado, cria sempre um falso ser..

 

Nasceu num ambiente que era o desvão do mundo: de origem tribal paquistanesa, viu-se engolido pela Grande Albion que dominava a Índia e através dela outros povos - Grandes Ingleses Dominadores –  e tudo em nome da rainha. Haja devoção. E foi neste vórtice de culturas que medrou Masud Kahn.

 

Há passagens folclóricas.

  

Um cliente entrando em seu consultório abismou-se com a quantidade de livros distribuídos pelas estantes e perguntou meio maroto: "O senhor já leu todos esses livros?" E ouviu: "Eu não leio livros, eu vivo com livros!". Quem reconhece a preciosidade dos livros-objetos, sabe a diferença entre ler livros ou conviver com eles.

 

Dizem que um cliente lhe enviara uma mensagem de país estrangeiro, dizendo que não poderia se deslocar naquele período para as sessões de análise; ele, não teve dúvidas, pegou seu avião e foi atendê-lo em casa. Chique, não? Grande disposição ou esnobismo puro?!...

 

E há passagens que escapam do folclore e tornaram-se absurdas. Em seu último livro "Quando a primavera chegar", livro de um clínico maduro, pode-se ler algumas de suas controvertidas opiniões sobre manejo de contratransferência: descreve-se a si mesmo insultando um analisando judeu e homossexual com tendências suicidas.

 

E foi causando inúmeras contendas pela maneira heterodoxa como conduzia sua clínica e sua vida. Foi acusado de promiscuidade entre sua vida profissional e íntima, não respeitando muito os preceitos de abstinência indicados na prática psicanalítica.

 

Assim, o Príncipe Khan causa fascínio, admiração, e por outro lado repulsa.

  

Tais intensidades tinham, sem dúvida, um caráter de dissipação. No final da vida, marginalizou-se socialmente. Perambulava pelas ruas como um sem teto, praticava delitos anti sociais como um molambo qualquer: numa espécie de ensandecida humildade e desprezo pelo mundo, escolheu a sarjeta.

COMENTÁRIOS:(0)

Envie seu comentário

voltar

Irmãs Ross...Uma relíquia
Fantásticas, famosas na época.

.

Psicotramas

16/08 - Lançamento do livro Crônica de uma Ilha Vaga
Núcleos de Formação Permanente no CEP

Psicorama © - Todos os Direitos Reservados
psicorama@psicorama.com.br

MFSete