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FEMME FATALE

Vais encontrar as mulheres? Não esqueças o chicote. Nietzsche em Zaratustra

Emblema da feminidade narcísica, Lou Andreas Salomé aparentemente infernizava o imaginário da intectualidade masculina do princípio do século XX.

Sua teoria de amor sexual como paixão física que se esgota ao saciar o desejo, deslizava para a prática do amor livre; para ela, a propagada atitude de "loucura amorosa" se contrapunha à quietude conjugal; esta, baseada no amor intelectual com uma fidelidade absoluta. A contraposição, impossível de superar, deveria ser vivida plenamente.
 
Nietzsche a pediu em casamento e foi recusado; juntou-se ao escritor Paul Rée e formaram um triângulo em que não faltou sequer uma foto onde os dois estão atrelados a uma charrete e ela com as rédeas nas mãos.
 
Afirmando um eros cosmogônico, tomou várias celebridades como amantes. Para Rainer Maria Rilke dedicou: ..."foste a primeira realidade, em que o homem e o corpo são indiscerníveis um do outro, fato incontestável da própria vida(...)Éramos irmão e irmã, mas como naquele passado longínquo, antes que o casamento entre irmão e irmã se tornasse um sacrilégio".
 
Freud caiu aos seus pés. Além de analisá-la e incluí-la nas reuniões do círculo freudiano, há convergência em considerá-la uma espécie de musa inspiradora de seu artigo sobre o narcisismo de 1914. Mas teve que triangular. Com Viktor Tausk, do círculo e de quem ela se tornara amante, além de outros intelectuais vienenses, inclusive Alfred Adler.
 
Abraçada ao freudismo,  a "caríssima Lou", como a chamava Freud, simbolicamente ingressou na "maçonaria" ao receber dêle um dos anéis reservados aos membros do Comitê Secreto.
 
Militou na clínica psicanalítica nas últimas décadas de sua vída, e aos 75 anos, publicou o livro "Minha Gratidão a Freud", onde inclusive se contrapõe às concepções estéticas da psicanálise.
 
Nos anos 30, foi vítima do nazismo e cruelmente perseguida por Elisabeth Forster, irmã de Nietzsche - aquele, do chicotinho.
 
 
Fonte: Dicionário de Psicanálise, Elisabeth Roudinesco e Michel Plon, Jorge Zahar Editor.

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