COLABORADORES

FASES DO CICLO VITAL

26/10/2009


— Primeiro nós fizemos terapia de casal, então tivemos você.

The New Yorker Cartoons: Terapia. Rio de Janeiro: Desiderata, 2009.




A propósito da charge acima, uma família só se configura como tal quando um determinado casal decide ter um (a) filho (a). 
 
Obviamente a condição de se fazer uma terapia conjugal antes de optar pelos filhos é decisão de foro íntimo do casal, mas como profilaxia, vai muito bem. Nós, terapeutas de casal, adoraríamos atendê-los numa fase não tão crítica, pois facilitaria nosso campo operativo e melhoraria o prognóstico, como numa doença física mesmo; quanto mais cedo o diagnóstico, melhor a possibilidade de cura.
 
As FASES DO CICLO VITAL pelas quais um casal e uma família percorrem são interessantes de se conhecer, dada sua natureza e suas características. Elas são em número de 6, a seguir:
 
1De constituição do Casal: é o ponto de chegada e confluência de famílias anteriores. Também é o ponto de partida de uma nova família. O casal constitui um novo Sistema e como tal tem características diferentes do sistema familiar de origem de cada um dos cônjuges. PERIGO: simbiotização e não cumplicidade.
 
2 – De procriação, nascimento e criação dos filhos: estabelece-se o Sistema Familiar desde a gravidez. Iniciam-se mudanças na relação do casal. O acesso à triangulação familiar reativa nos pais suas próprias experiências triangulares vividas anteriormente com suas famílias de origem. A criação dos filhos enriquece o desenvolvimento individual dos pais, mas também é um campo onde se jogam duras lutas do casal. PERIGO: filho como tábua de salvação do casamento.
 
3 – Dos filhos na escola: constitui uma das situações de desprendimento. O produto do casal é avaliado socialmente. Se a criança apresenta problemas de aprendizagem, estará evidenciando dificuldades ou carências do grupo ou sistema familiar. A ampliação da rede social do filho arrasta a família. Se esta não é capaz de acompanhá-la adequadamente, a adaptação do filho se ressentirá.
 
4 – Adolescência: é uma etapa especial de comoção e crise, que afeta todo o sistema familiar. Supõe reestruturações em todos e em cada um dos subsistemas e uma readaptação do sistema com o exterior. O adolescente requer menos cuidados do tipo concreto, mas muito respeito, compreensão e continência de sua instabilidade. CUIDADO com fronteiras: os pais devem ser pais para que o adolescente possa seguir desenvolvendo-se como filho. Se os pais “adolescentizam” em atitudes de competição ou identificação com o filho sob a forma de uma pretensa amizade de pares, o filho fica órfão da função paterna e/ou materna. A SEXUALIDADE é um aspecto importantíssimo nesta fase, pois há um confronto de curvas entre o momento dos pais e do adolescente.
 
5 – Do Ninho Vazio: é quando há o casamento e/ou a saída dos filhos do lar, implicando na aceitação da saída de um ou mais membros. Os pais devem preparar-se para receber as novas famílias e não para violá-las. O MITO da solidão dos pais acontecerá nos casos em que eles viveram quase que exclusivamente para os filhos. Com a chegada dos netos os avôs serão os transmissores da história cultural familiar. Isso contribuirá na conformação da identidade pessoal de todos os membros. PERIGO: pais que não deixam os filhos se desprenderem por medo do ninho vazio. Embora o filho sirva de companhia e/ou união dos pais, constitui-se numa acusação de que as coisas não andaram bem na família.
 
6 – Velhice: o ser humano necessita sentir-se perpetuado não só física, mas psicológica, social e culturalmente. Nesta etapa encontramo-nos com a reversão da dependência inicial que se dava entre pais e filhos. Esta dependência não será tão acentuada se os pais contarem com uma ampla rede social, amizades, projetos e objetivos de vida, de acordo com suas possibilidades.
 
Bem, espero suscitar dúvidas e questões sobre sua própria vida, leitor.                                                  

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